A investigação sobre o programa
WiFi Livre SP e possíveis conexões com a produção de Dark Horse, filme sobre
Jair Bolsonaro, teve 26 equipamentos eletrônicos inicialmente recusados para
perícia por problemas no acondicionamento e na lacração. O material foi
apreendido pela Polícia Civil de São Paulo durante a apuração de suspeitas
relacionadas ao contrato do programa.
Segundo os termos de recusa
emitidos pelo Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica de São
Paulo, as falhas permitiam acessar os equipamentos sem necessariamente romper
os lacres de segurança. Dessa forma, a situação poderia comprometer a
integridade dos dados e a cadeia de custódia das provas.
Ao todo, as 17 guias de recusa
mencionam 13 pendrives, oito notebooks e cinco celulares. Entre os aparelhos
estavam telefones de Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer
Brasil (ICB) e proprietária da produtora responsável pelo filme, além de
equipamentos vinculados a Vanderlei Magalhães Natividade e a empresas
subcontratadas pelo instituto.
Notícias Brasil
Dark Horse e os problemas
identificados na perícia
Os documentos, datados do início
de junho, apontaram dois tipos principais de falhas nas embalagens. Em quatro
remessas, a abertura existente permitia retirar o próprio equipamento que
deveria passar pela perícia.
Nas outras 13 remessas, a
abertura possibilitava a entrada de cabos de alimentação e de transferência de
dados. Segundo o Instituto de Criminalística, essa condição permitiria a
manipulação dos dados armazenados nos equipamentos.
Assim, dos 29 equipamentos e
mídias eletrônicas apreendidos na operação, 26 foram inicialmente recusados
pelo instituto. O número representa cerca de 90% do material recolhido.
Um dos termos registra que o
lacre de segurança permanecia fechado e com a numeração preservada. No entanto,
a embalagem havia sido acondicionada de maneira que permitia o acesso ao
equipamento sem a necessidade de romper o lacre.
Polícia Civil refaz lacres e
envia material
Diante dos problemas, a Polícia
Civil certificou, em 8 de junho, o retorno dos objetos do Instituto de
Criminalística. Em seguida, os agentes fizeram a chamada “readequação dos
invólucros” e instalaram novos lacres para preservar a integridade dos itens e
a cadeia de custódia.
Depois disso, a corporação
reenviou o material para análise. Os autos mostram que equipamentos
anteriormente recusados acabaram examinados posteriormente pelo Instituto de
Criminalística.
Uma das remessas, por exemplo,
reunia dez pendrives apreendidos na Make One Tecnologia. Outra continha um
notebook que posteriormente passou por extração integral dos dados.
A Polícia Civil realizou as
apreensões em 1º de junho, em endereços ligados ao ICB e às empresas
Complexys/FastFuture, Urban Connect, Make One e Ultra IP. Na ocasião, os
investigadores recolheram computadores, celulares, pendrives e documentos.
O objetivo da operação era
rastrear a destinação de recursos relacionados ao contrato do WiFi Livre SP e
verificar possíveis irregularidades.
Material será transferido para
a Polícia Federal
Neste domingo (13), o ministro
Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência dos
aparelhos e do material bruto extraído pela perícia paulista para a Polícia
Federal.
Com a decisão, a PF passou a
concentrar essa etapa da investigação. Além disso, os dados obtidos nos
equipamentos poderão integrar a análise federal sobre as suspeitas relacionadas
ao contrato e às pessoas e empresas citadas no caso.
A transferência ocorre após a
Polícia Técnico-Científica ter apontado inicialmente problemas na forma como
parte significativa dos equipamentos foi lacrada e acondicionada.
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